segunda-feira, dezembro 11, 2017

DUNKIRK

DE VOLTA PARA CASA

Christopher Nolan é um dos meus cineastas favoritos, até quando faz filmes não tão bons (eu não gosto de Interestelar), é preciso reconhecer que o sujeito tem a audácia e a coragem de sempre querer sair da sua zona de conforto. 
É bem arriscado, pois as vezes o resultado, pode sair por demais pretensioso, pesar a mão, mas também pode sair maravilhas como "Dunkirk".
Eu não sou expert nos fatos históricos, e nem aficionado em filmes de guerra, mas nesse caso, acho que vale a pena fazer um pesquisa, antes de vivenciar "Dunkirk".
Durante a Segunda Guerra Mundial, soldados ingleses, franceses, belgas e holandeses, ficam encurralados pelos nazistas, numa região litorânea da França chamada Dunquerque.
Sem esperança para serem resgatados brevemente, pois o mar raso, dificultava a ajuda, os soldados são alvos fáceis de tudo quanto é artilharia do inimigo, seja por terra, mar ou ar.
Eu lembro de ter visto algo sobre esse fato, na memorável cena de "Desejo & Reparação", um plano sequência belíssimo sobre o ocorrido.
Agora imaginem essa beleza, amplificada e aprofundada?
"Dunkirk" é de um apuro visual e técnico de fazer o queixo cair, e o melhor, não é um filme desalmado.
Percebo, que, por vezes, alguns diretores se preocupam tanto em serem perfeitos, e acabam esquecendo o principal, darem uma alma ao seu trabalho.
Nunca nos sentimos distanciados, indiferentes ao que esta acontecendo. 
E seria algo difícil de se fazer, pois não há um personagem principal que Nolan foca o filme inteiro.
Há, na verdade, três histórias temporais diferentes,  uma semana acompanhamos os combatentes na praia, uma hora no voo do jato pilotado por Tom Hardy e um dia na tentativa de resgate de um barco pequeno comandado por Marky Rylance.
É um desbunde, dificil não ficar entusiasmado com as cenas aéreas, lindamente captadas por Nolan, ou a trilha sonora de Hans Zimmer, aflitiva, constratando. E então o deslumbramento e a aflição passam a estarem de mãos dadas, restando a gente torcer para que os soldados voltem logo para casa.
"Dunkirk", é um (senão o) dos melhores filmes de Chritopher Nolan, que soube como nunca, dosar emoção e razão brilhantemente.
NOTA ___9,5



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quarta-feira, dezembro 06, 2017

EU, DANIEL BLAKE

CORAÇÃO DE FERRO

Daniel Blake, é um senhor passando por um perrengue danado.
Além de sofrer um ataque cardíaco, ele decide enfrentar a burocracia do sistema para garantir seus benefícios.
Horas e horas no telefone, atendentes grossos, mal-educados, indiferença.... mas ele é perseverante.
Em seu caminho, cruza uma mãe solteira ( a excelente Hayley Squires), passando também por mais perrengues.
Mesmo assim, Blake decide ajuda-la, a amparando  financeiramente, ou com afeto mesmo.
O que poderia sair um desagradável rio de lágrimas sem fim, "Eu, Daniel Blake" não tem um pingo de pieguice em seu roteiro, e sim, uma naturalidade tão palpável em seus personagens, que a comoção quando vem, vem naturalmente, sem artifícios baixos.
Ganhador da Palma de Ouro em Cannes, o filme mostra o porquê do merecimento, seja na direção do veterano Ken Loach, que extrai uma espontaneidade genuína de todo o elenco, seja a incrível atuação de Dave Johns, nunca demonstrando uma autocomiseração em momentos complicados.
Poderia ser um personagem implorando por pena do expectador, mas não é isso que acontece.
Quem assistir "Eu, Daniel Blake" também poderá pensar que a história poderia muito bem se passar no Brasil, conhecido pelas burocracias e as suas armadilhas para quem precisa do Estado.
Não há como não haver uma identificação e isso torna o filme ainda mais forte e tocante.
NOTA____ 9,0


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quarta-feira, novembro 29, 2017

LADY MACBETH

APARÊNCIAS ENGANOSAS

"Lady MacBeth" não é  alguma adaptação de William Shakespeare, como se  poderia pensar só de ler o título. E sim uma versão de um conto chamado "Lady MacBeth do Distrito de Mtsenk", do escritor russo Nicolai Lenskov.
Também se enganam, que, por ser um filme de época, veremos algum drama pesado ou romances floreados.
Nada disso. 
A protagonista também esconde seu verdadeiro eu, e vai de uma omissa e subserviente esposa à uma mulher fria e completamente sem escrúpulos.
As aparências enganam em "Lady MacBeth" e isso é ótimo.
Katherine (Florence Pugh, ótima em cena) esta se sentindo asfixiada, presa no seu casamento de fachada. Seu marido e sogro são brutos, indiferentes e ranzinzas a maior parte do tempo.
Já logo no seu início, o filme dá pistas da personalidade rebelde de Katherine, e faz com que torcemos para que de alguma forma, ela consiga sair dessa situação exasperante.
Com a saída do marido durante um longo tempo, ela acaba se envolvendo com um dos empregados da casa, fazendo com que a faísca da subversão ascenda de vez, e a faça cometer atos terríveis.
Pouco a pouco, "Lady Macbeth" vai se revelando um suspense sombrio, obviamente influenciado pela verdadeira faceta de Katherine. 
É assustador a maneira como vai se revelando essa personagem, se ficamos com dó inicialmente, logo adiante, a temeremos.
Outras qualidades podem ser notadas , como a cenografia, fotografia e figurino que não deixam nada a desejar .
Embora, "Lady Macbeth" possa dá a impressão de que os desdobramentos do seu roteiro possam acontecer muito ligeiramente, é justamente essa rapidez dos fatos que não deixam nos distrair em nenhum momento.
NOTA 8,0

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segunda-feira, novembro 20, 2017

LIGA DA JUSTIÇA

NÃO DÁ LIGA

Em se tratando de adaptações de quadrinhos para o cinema, hoje em dia, praticamente um subgênero, eu sou bem arredio.
Não que ache todos ruins e tolos (gosto muito de X-Men ), mas talvez por não ter crescido lendo HQs, não compartilho dessa empolgação que muita gente tem, envolvidos por lembranças emocionais, desconsideram todos os erros desses filmes, e maximizam o que não tem o que maximizar.
É o caso de "Liga da Justiça", clássico grupo da DC Comics, que muita gente cresceu lendo, e  são mundialmente famosos e populares.
Afinal, é a reunião do Superman, Flash, Mulher-Maravilha e cia, dane-se que não seja lá tão bom...
Sinto muito, mas o filme é extremamente ruim.
Óbvio que o apelo desse reunião não surtiu efeito em mim, não construí alguma expectativa, e apenas fui assistir esperando, ao menos, diversão passageira.
E diversão é o que existe de menos por aqui.
Como ficar empolgado com cenas de ação tão feijão com arroz, coisa que já assistirmos inúmeras e inúmeras vezes em outros filmes?
Não dá para se entusiasmar com absolutamente nada.
A história é bem qualquer nota, O Batman e a Mulher-Maravilha recrutam outras pessoas com super poderes para derrotar um vilão megalomaníaco.
Primeiro vamos para o que mais me irritou.
A interpretação do elenco é de lascar! Alguém precisa avisar o quanto a Gal Gadot é medíocre como atriz! Não mudou nada do filme solo! (outra baboseira desse ano)
Henry Cavill e Ben Aflleck estão no piloto automático, apáticos, e o pior... trataram de enfiar piadinhas engraçadíssimas para seus personagens. 
Morri de rir, só que não!

Mas não acabou por aqui, tem o vilão mais meia-boca e feito de qualquer jeito que já vi (Lobo da Estepe, horrível!).
Superaram a tartaruga ninja bizarra que foi o Apocalypse de "Batman vs Superman".
Aliás, que saudades me deu de "BvS", tinha seus pecados sim, mas aquela atmosfera sombria, gótica, ao menos, se diferenciava dessa patacoada que é a maioria dos filmes baseadas em HQs.
"Liga da Justiça" é péssimo, banal, não é divertido, não é engraçado,  e nem se prestou pra ser um passatempo acéfalo que esperava.
Mas vai lotar as salas (ao menos, no Brasil) de fãs cegos e alheios a tudo isso.
Afinal, é a Liga nos cinemas, né!?
NOTA 0





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terça-feira, novembro 14, 2017

BINGO - O REI DAS MANHÃS

POR TRÁS DA MÁSCARA


Se houve uma grande injustiça nos cinemas nesse ano, com certeza foi a gélida recepção que "Bingo- O Rei das Manhãs", recebeu nas bilheterias no Brasil.
De nada adiantou uma campanha de marketing bacana ou os elogios de todos dos críticos, o filme amargou números ridículos do público, ignorando um baita filmão.
Se ficar entre os escolhidos da Academia para o Oscar ano que vem ( o filme foi o representante nosso para ficar entre os finalistas) será um verdadeiro "parece que o jogo virou, não é mesmo?".
Ambientando nos anos 80, "Bingo" é pop, convida o público a se importar com a história e é muitíssimo bem filmado. Não sei como que o boca-a-boca não ajudou a transformá-lo num sucesso, algo que o filme mereceria.
Vladimir Brichta esta chocante (utilizando uma expressão da época, hoje esquecida) como Augusto, um ator relegado as pornochanchadas que, insatisfeito, busca outros ares.
Acaba conseguindo a vaga como o palhaço Bingo, e com muita determinação e perseverança, alcança a glória que sempre quis.
Mas o sucesso é irmão gémeo do fracasso, e Augusto entrará em parafuso quando começa a abusar das drogas e a negligenciar o filho.
É a clássica história da jornada de ascensão e queda de algum personagem, que tanto já virmos por aí. No entanto, essa falta de ineditismo, não atrapalha em nada os inúmeros atributos de "Bingo". 
Brictha esta uma coisa! São tantas as versões de seu personagem, ora esta sexy, ora raivoso, ora irresistível, ora canalha, ora carinhoso,  fica a nítida impressão que o ator esta ciente do material que tem em mãos e libera o melhor de si. 
Daniel Rezende, o diretor, também acompanha a vibe do ator, e faz um ótimo trabalho com as câmeras, entrega uma trilha sonora incrível e um visual de encher os olhos.
Baseado livremente na vida de Arlindo Barreto, que foi o segundo a interpretar o Bozo no Brasil, o filme acaba modificando nomes de alguns artistas (exceto a Gretchen, numa cena espetacular), mas facilmente identificaveis.
Divertido, dramático, emocionante , "Bingo- O Rei das Manhãs", é cinemão de alta qualidade, e merece muito mais reconhecimento.
NOTA___ 9,0

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domingo, outubro 29, 2017

A MORTE TE DÁ PARABÉNS

UM OUTRO DIA PARA MORRER

Wes Craven era um diretor afiado, e injetou doses equilibradas de humor e suspense quando lançou o primeiro da série "Pânico" em 1996. 
O resultado foi o sucesso nas bilheterias e elogios entre os críticos de cinema, e fez o público se interessar novamente pelos filmes estilo "slasher", tão na moda no começo dos anos 80 com os famigerados"Halloween", "Sexta-Feira 13" e "A Hora do Pesadelo".
Hoje em dia, o sub-gênero foi quase que esquecido depois de outros tomarem a frente ( houveram a era dos "remakes", "torture porn", "found-footage" e agora os chamados "pós-horror"), mas parece que com a estreia de "A Morte te dá Parabéns", os filmes com assassinos mascarados podem voltar para um novo ciclo.
Mas é uma pena que seja tão ruim.
Imaginem uma mistura de "Feitiço do Tempo" e "Pânico", uma jovem que vive o mesmo dia repetidamente para ser morta pelo mesmo assassino mascarado.
Nas mãos de um cineasta realmente ousado e sem amarras, essa liga poderia gerar algo muito interessante de se assistir.
Não é isso o que ocorre, muito pelo contrário, aliás.
Dirigido por Christopher Landon , um sujeito sem criatividade e engessado que dentre outras coisas fez um dos piores capítulos de "Atividade Paranormal", o filme se torna, na mais simples das definições, chato de se assistir.
Nada funciona direito, seja na hora de assustar, seja na hora de causar alguma tensão.
E tudo piora quando a protagonista é uma insuportável de galochas, que supostamente vai ficando boazinha, à medida que vai morrendo e voltando.... tem coisa mais brega?
Não era melhor então fazer algo do tipo "Todo Mundo em Pânico" e assumir de vez o escracho?
Querer assustar e arrancar sorrisos é algo difícil e que precisa ter mãos habilidosas para que ambas funcionem.
Não é o caso em "A Morte te dá Parabéns" que de parabéns não esta nada.
NOTA____ 2,0



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sábado, outubro 21, 2017

47 METROS PARA BAIXO

NAS PROFUNDEZAS DO MAR

Filmes com tubarão chegaram ao fundo do poço depois de virarem de tudo; fantasma, zumbi, robô, de três cabeças e voando pra lá e pra cá com a série "Sharknado".
"Águas Rasas" trouxe dignidade a esse sub-gênero ano passado, e ressurgiu a esperança de que filmes bons estariam por vir.
Mas é bom ser justo e relembrar que "Mar Aberto", "Perigo em Alto Mar" e, vá lá, "Do Fundo do Mar", já tinham feito algo bem interessante em épocas distintas, mas depois da avacalhação com os tubarões, parecia que tudo estava perdido.
Bem, "47 Metros para Baixo" confirma que eu estava equivocado.
Duas irmãs (Mandy Moore e Claire Holt) estão no México como turistas, e decidem mergulhar numa gaiola supostamente protegidas contra os tubarões.
A gaiola se rompe, e as duas ficam nas profundezas do mar tentando sobreviver, enquanto aguardam a ajuda vir para resgatá-las.
À despeito da situação em si, que já causa uma aflição naturalmente, o diretor Johannes Roberts ( "Do Outro Lado da Porta") soube arquitetar cenas e mais situações para nos deixar claustrofóbicos, juntos com as garotas, desesperados.
A decisão de deixar o telespectador submerso contribui muito para que a experiência seja angustiante também para quem esta assistindo,  quando as garotas mergulham e caem no fundo do mar, a sensação é a de que estamos realmente junto com elas.
O grande revés de "Águas Rasas" estava no seu desfecho feliz que quebrava totalmente a tensão que vinha desde então, já "47 Metros para Baixo" mantém a angústia e entrega um plot twist incrível.
É de deixar Spielberg sorrindo de orelha a orelha.
Ainda mais vindo de um diretor com um currículo de filmes horríveis e inexpressivos.
NOTA____ 8,5


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sexta-feira, outubro 13, 2017

BLADE RUNNER 2049

ENVOLVIMENTO ZERO

Existem filmes em que é tão comum elogios e hipérboles, que eu acabo ficando intimado a gostar de qualquer maneira.
Um desses é o "Blade Runner" de Ridley Scott, um filme de qualidades técnicas incríveis, mas frio e apático pra mim.  
E uma das características do diretor Dennis Villenueve é exatamente essa, suas produções são tecnicamente precisas e impecáveis, no entanto, no quesito emoção, envolvimento com os personagens e história é zero.
Quando soube que Villenueve comandaria a sequência de "Blade Runner", pensei que fosse o diretor ideal para o projeto, e ao assistir "2049", constatei.
É o típico produto em que soa inteligente, complicado, culto, mas não há alma e envolvimento emocional com nada.
Villenueve conseguiu superar a obra de Scott, que tinha ao menos uma cena linda no seu desfecho com Rutger Hauer, e trouxe uma obra asséptica, insuportável de acompanhar em sua longa duração de chatice.
Claro que haverá uma multidão enaltecendo o filme, assim como já existe o séquito de fãs que se maravilham com tudo o que Villenueve faz, se achando perpicazes por apreciar um produto aparentemente "dificil".
Ryan Gosling esta no piloto automático e distribuindo olhares de peixe morto como o agente K que descobre um segredo e blá blá blá.
 A certa altura ele encontra Harrison Ford e quando você pensa que o filme vai ter vida, não, continua morto.
Como já esperaria, os aspectos tecnicos são um deslumbre, fotografia, efeitos especiais e visuais, cenografia, som... tudo impecável.
O problema é o de sempre, envolvimento zero com o filme. 
Aí fica complicado apreciar as suas qualidades quando o diretor é uma geleira.
NOTA____ 2,0




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sexta-feira, outubro 06, 2017

UMA MULHER FANTÁSTICA

O ÚLTIMO ADEUS

A cena inicial de "Uma Mulher Fantástica" já tem todo o seu encanto,  as Cataratas do Iguaçu ao som de uma trilha sonora clássica que irá fazer todo sentido mais adiante.
Somos apresentados ao casal Marina (Daniela Vega, que esta... fantástica!) e  Orlando (Francisco Reyes), que depois de uma noite agradável a sós, o homem, um senhor, passa mal e morre logo a seguir.
Ela é transexual, e esse detalhe irá transparecer através de suspeitas de assassinato, preconceito entre os parentes do seu namorado e uma nada disfarçada falta de empatia de todos à ela.
O diretor Sebastian Lelio, segue adiante, acompanhando o calvário de Marina para se despedir do companheiro, entre humilhações e ameaças físicas.
Vencedor do Teddy Award no  Festival de Berlim, "Um Mulher Fantástica" trás à tona um assunto muito em voga atualmente, a transexualidade e a incapacidade de muitas pessoas em não compreender e fazer questão de nem tentar.
Apesar do drama latente da situação, o diretor não entrega um chororô digno de novelas bregas, existem cenas surrealistas que entregam o que se passa no interior de Marina muito bem apresentadas, e a própria não se entrega ao vitimismo, e encara de frente todos os percalços pelo caminho.
Daniela Vega também é transexual, e ninguém mais poderia transpôr com tanta naturalidade os receios que sua personagem enfrenta, é uma atuação repleta de nuances, nenhum exageros e , sem dúvidas, uma das melhores desse ano.
NOTA _8,5

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terça-feira, setembro 26, 2017

MÃE!

LONGES DO PARAÍSO

"O que é que esta acontecendo?", a personagem de Jennifer Lawrence, indaga ao seu marido, atônita, numa determinada cena e eu repetia pra mim mesmo, ao longo de "Mãe!", a mesma pergunta.
Afinal, o que diabos tinha acabado de assistir?
Sei bem que não fui o único a não entender muita coisa sobre o que Darren Aronofsky ( (dos excelentes Réquiem para um Sonho, Cisne Negro, O Lutador e do horrível Noé) estava querendo transmitir para nós público, mas uma coisa é inegável, ficar indiferente é praticamente impossível diante de "Mãe!".
Nem que seja ter raiva do diretor, ou achar que seu egocentrismo chegou às alturas, ou mesmo que o filme seja um exercício pretensioso, um daqueles produtos onde só o diretor entende.
Enfim, seja qual for o caso, aqui é um daqueles exemplos de filmes em que a experiência sensorial é garantida.
Jennifer Lawrence e Javier Barden, é um casal isolado, morando em um casarão majestoso, no meio do nada. 
A chegada de estranhos desestabiliza esse cenário idílico, e a partir de então, o antes paraíso vira um verdadeiro pandemônio.
Esse seria uma relato literal de "Mãe!", o mais óbvio. No entanto, nada começa a fazer sentido a medida que o filme avança, que se mostra uma mistura bem azeitada de David Lynch, Lars Von Trier e uma pitada de Roman Polanski. 
Mas essa confusão e desorientação, ( a qual o personagem de Lawrence também passa, junto conosco), é proposital, pois as metáforas e signos estão ali, a verdadeira história continua ali, numa sub camada que faz todo o sentido do mundo.
Eu tive que recorrer aos milhares de textos para entender "Mãe!" e fiquei assombrado de como é que estava tudo na minha frente e não vi de primeira.
Fora essa genialidade no roteiro, a estupenda atuação de Jennifer Lawrence já é bastante recompensadora, mesmo se você ficar sem entender nada, ou mesmo fazer uma outra interpretação (o meu caso, mas acho que o que havia especulado também esta implícito.)
Eu prefiro não levantar as teorias ,  ou fazer explicações. 
Façam como eu, assistam, façam suas interpretações e análises, leiam depois os depoimentos que o próprio diretor já deu, e preparem-se para ficarem embasbacados para o que "Mãe!" verdadeiramente é.
NOTA     9,0

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