segunda-feira, maio 22, 2017

NINA

O QUE ACONTECEU, MISS SIMONE?

"Nina", a cine biografia da cantora Nina Simone, nem tinha estreado e já recebia uma avalanche de criticas a respeito da caracterização de Zoe Saldana no personagem-título.
Dentre as acusações, criticaram a maquiagem que escureceu a pele da atriz, uma amostra velada da controversa "black face" exalar racismo, lembrando a época de quando atores brancos pintavam a cara de tinta preta para interpretar personagens negros.
Houve também gente criticando o roteiro, alegando fatos que não aconteceram e situações modificadas sem consulta prévia da família da cantora.
Enfim, não bastasse todas as negativas , "Nina" já meio que estreou eclipsado pelo maravilhoso documentário feito pela Netflix também sobre a cantora, "What happened, Miss Simone?".
Realmente a maquiagem e as próteses em Zoe Saldana causa um baita estranhamento, fiquei com a impressão que a pele do seu rosto estava mais escura que a do corpo inteiro.
Mas tive que reconhecer o esforço que a atriz empenha para parecer natural como Nina Simone, incorporando seus trejeitos e sua personalidade temperamental.
A atriz cantando e tocando no piano, lançando olhares para a plateia do jeito que Nina fazia, me fez esquecer por um tempo toda a polêmica envolvida.
Achei certo a diretora Cynthia Mort não retratar toda a vida da cantora e se concentrar num período especifico e complicado de sua carreira. Período em que passa na França, depois de Nina amargar um quase ostracismo.
Mas o filme tem muitos problemas, a começar por omitir e\ou não se aprofundar em muitas questões sobre a personalidade de Nina e o seu real significado de sua presença como cantora, negra, ativista numa época  conturbada.
Mas pra isso existe o documentário e esse sim é impecável.
NOTA ____6,0

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sexta-feira, maio 05, 2017

CORRA!

ENCURRALADO


Em "Adivinhe quem vem para Jantar",  Sidney Poltier é apresentado como noivo à família branca de sua noiva. A reação dos familiares da moça para o fato de ser negro gerou  a maior curiosidade em pleno anos 60, época de  enorme tabu sobre  relacionamentos interraciais.
Estamos em 2017 e surge "Corra!", filme que à principio recorre ao mesmo mote do clássico de 1967. Afinal, depois de tanto tempo, o racismo ainda existe?
Mas esse não será o único questionamento levantado e tão pouco se fixa nesse questão, o que vemos aqui é tensão máxima chegando ao espaço e uma aula de como saber conduzir um suspense de bons sustos, sem deixar de lado as questões sociais e raciais.
Chris (Daniel Kaluuya, de "Black Mirror") esta prestes a conhecer a família da namorada que moram no interior em um casarão isolado. Ele esta preocupado pois ninguém ainda sabe que é negro.
Ele acaba sendo bem recepcionado pelo pai (Bradley Whitford) e a mãe (Catherine Keener) , mas há uma aura estranha no ar, principalmente ao reparar no comportamento peculiar dos empregados da casa, que são negros.
Fora comentários incômodos de racismo disfarçado, Chris acidentalmente é hipnotizado pela futura sogra, com a desculpa de largar o vício de cigarro.
Se sentindo cada vez mais desconfortável e ameaçado, ele descobrirá o real motivo de estar lá.
"Corra!" é lindamente conduzido por Jordan Peele e anotei no caderninho seu nome para ficar de olho para os próximos projetos. O que é visto aqui não é muito fácil de encontrar por aí. 
Há doses de extrema tensão ( a cena de Chris sob a hipnose, mergulhado na inconciência, chamado aqui de "Lugar Profundo", é de arrepiar), uma boa pitada de humor (o amigo de Chris surge sempre com um esperto e engraçado dialogo que nunca destoa no andamento do filme) e a mais que relevante crítica social/racial.
E por mais que os desdobramentos me pareceram um pouquinho previsíveis, "Corra!" é um filmaço que fica melhor em tempos de 'whitewashing' e 'oscarsowhite'.
NOTA____ 9,0





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quinta-feira, abril 27, 2017

PERSONAL SHOPPER

SINAL DO ALÉM

Olivier Assayas chamou novamente Kristen Stewart para estrelar uma curiosa produção, e de lambuja, arrancar mais uma interpretação surpreendente da moça.
Depois da ótima atuação em "Acima das Nuvens", Kristen quer deixar realmente para trás a imagem de musa adolescente da série "Crepúsculo" e encarar papéis maduros, se despedindo definitivamente da sonsa protagonista que era a projeção de várias moçoilas pelo mundo afora.
Fico imaginando o choque que deve tomar uma típica garota fã da série ao assistir "Personal Shopper", apenas para conferir se há algum resquício de Bella Swan.
Stewart interpreta uma médium que tenta se comunicar com o irmão falecido recentemente, eles haviam feito um pacto, pois quem morresse primeiro mandaria um sinal do além para provar que estava bem.
Enquanto fica à espera do sinal, ela trabalha como uma assistente de compras para uma celebridade em Paris.
"Personal Shopper" não é exatamente um filme de terror, apesar de cenas excelentes e assustadoras envolvendo espíritos e cenários obscuros, mas também não chega ser um drama por completo que investiga aprofudadamente questões religiosas ou o luto.
São dois filmes distintos que não parecem interligados, por mais que o suspense domine o drama conforme a história avança.  
Mas não tem jeito de admitir o quanto Kristen Stewart esta bem no papel, despida dos trejeitos do passado (e o despida é nas duas situações, pois há cenas de nudez desencanadas), ela se entrega de fato ao papel, nunca caindo na pieguice e circunspecta nos aspectos e detalhes na sua atuação.
Mesmo sendo o caso do filme que não sabe como finalizar a história e de haver essa distinção gritante nos temas, eu recomendaria para aqueles que justamente ainda lembram da atriz nos tempos em que ficava mordendo o lábio entre vampiros e lobisomens.

NOTA___ 7,0

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quinta-feira, abril 20, 2017

A AUTÓPSIA

A FALECIDA


"A Autópsia" padece do mesmo mal que a maioria dos filmes de terror/suspense comerciais. Tem um bom argumento mas parece não saber o que fazer com ele.
Imaginem só o que esse filme poderia sair nas mãos de um diretor mais corajoso e livre das amarras de uma produção mainstream?
Um cadáver de uma mulher sem identificação é submetido a uma autopsia.
No necrotério, os legistas que são pai e filho (os bons Brian Cox e Emile Hirsch) descobrem a medida que vão explorando o corpo da defunta coisas estranhíssimas.
Ao redor do local, barulhos e sussurros também começam a acontecer e parecem estar interligado com o corpo.
Até o desfecho completamente lugar-comum e que deixa uma amarga última impressão, "A Autópsia" funciona bem, a investigação pela causa da morte da fulana e os eventos estranhos descobertos intriga.
O cenário claustrofóbico contribui na sensação de sufoco, o filme se passa praticamente dentro do necrotério e há poucos personagens.
Mas talvez afoito por satisfazer uma plateia acostumada a clichês surrados saindo da cartilha de "Invocação do Mal", o diretor André Ovredal ( de "O Caçador de Troll" ) entrega os minutos finais um feijão com arroz indigesto de revirar os olhos.
O que poderia sair algo perturbador e digno de ser lembrado, "A Autópsia|" destrói tudo o que constrói no terceiro ato , tornando-se mais um filme descartável.
NOTA ____6,0

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domingo, março 26, 2017

FRAGMENTADO

OUTROS DE MIM

Em "A Visita", M. Night Shyamalan já tinha dado sinais claros da sua volta aos bons filmes.
Os  gloriosos tempos de "O Sexto Sentido", "Corpo Fechado", "Sinais" e  (por quê não?) "A Vila" voltaram de vez agora com "Fragmentado"?
Felizmente é sim!
É um comeback dos mais notáveis e seguramente ficará  entre as melhores estréias desse ano.
Conhecemos Kevin (James McAvoy, incrivelmente brilhante!), um sujeito com múltiplas personalidades que sequestra um trio de garotas. Uma delas (Anya Taylor-Joy, outra que está ótima) percebe o distúrbio do rapaz e tenta manipular uma de suas personalidades para escapar do cativeiro.
Ao mesmo tempo, a psicóloga de Kevin (Betty Buckley) acaba confrontando com seu paciente, o que a  levará a uma chocante revelação.
"Fragmentado" é muito mais do que pode deflagrar o seu trailer, sua sinopse ou uma resenha. Shyamalan caprichou no roteiro e mesmo não tendo uma "grande reviravolta" há um todo cuidado com o desenvolvimento dos diálogos e de seus personagens. 
O que também dá pra sacar é o quanto o cineasta mudou sua forma de dirigir um filme, abandonou os takes de câmera de produções de arte e decidiu utilizar as menos complexas mas sem deixar por completo suas características mais marcantes.
Talvez para não houver distrações e ficarmos completamente imersos na história que estamos acompanhando.
E "Fragmentado" possui um enredo poderoso e envolvente assim como a atuação acachapante de James McAvoy que merece cada elogio que esta recebendo da crítica e público.
É de deixar o queixo caído o quanto o ator se entrega corporalmente, fisicamente e psicologicamente a esse personagem e não me surpreenderia as merecidas indicações futuras a melhor ator nos festivais.

Eu espero realmente que Shyamalan pega no tranco de vez e permaneça nessa vibração agora que ele encontrou novamente o caminho para entregar filmes interessantes. 
E se o desfecho insinua algo, esse algo é de deixar água na boca.
NOTA ____9,0

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sábado, março 18, 2017

MANCHESTER À BEIRA-MAR

A VIDA CONTINUA

A atuação de Casey Affleck rendeu um enxurrada de prêmios ao ator , incluindo o desejado e disputado Oscar desse ano. 
Mas será que não foi um exagero essa laureação toda?
"Manchester à Beira-Mar" possui um personagem complexo de se enfrentar, subcamadas de dor e de luto mal resolvido, fico imaginando a dificuldade de dar vida a uma pessoa assim, assimilando trejeitos e vozes para compor um Lee Chandler.
E Casey consegue nos distanciar completamente de que há um ator ali por vários momentos.
Sorte também do filme ser ótimo de assistir, pois logo no seu inicio você se sente submerso na história, vivenciando as dores do cotidiano de Lee e seus familiares numa cidade gélida e nada convidativa ( e ainda sim estranhamente bela).  
Após receber a noticia da morte do irmão, Chandler volta a Manchester  para cuidar do processo burocrático do enterro e se deparar com alguns fantasmas do passado.
Um deles é a ex esposa (Michelle Willians) e também seu sobrinho (Lucas Hedges) que vão ajudar a reascender lembranças que aquela cidade acaba trazendo.
"Manchester à Beira-Mar" é o caso de filme que fica difícil se aprofundar numa sinopse ou mesmo numa resenha pois acompanha-lo e descobrir seus nuances no roteiro é infinitamente melhor. 
Mas poderia dizer que o nível de interpretações aqui é de um patamar altíssimo o que ajuda a sentir empatia por qualquer um dos personagens, além de que, nunca sentimos que o sentimentalismo toma conta do filme, o que é ótimo já que pelo teor dramático um diretor afetado logo usaria o golpe baixo da pieguice novelesca.
E não há nada piegas aqui, "Manchester à Beira-Mar" pode te deixar na bad sim, mas uma bad cinematográfica linda de se sentir.

NOTA ___8,5

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segunda-feira, março 06, 2017

LOGAN

CANTO DO CISNE

É impossível não fazer uma recapitulação de Wolverine nos cinemas, desde lá, em 2000 quando surgiu em "X-Men". 
Lembro bem da estreia e repercussão que o filme acabou ganhando, foi o abre-alas para outras aventuras baseadas em HQ, corajoso a dar a cara para bater  numa época em que ninguém queria se arriscar  depois de alguns fracassos retumbantes.
Wolverine acabou se destacando, ficou imensamente popular e Hugh Jackman idem.
Eis que as produções solos surgiram e a primeira foi uma tremenda furada, "X-Men Origens" era ruim de doer, depois com "Imortal" a coisa melhorou um tantinho.
Mas nada que se compara a "Logan", aqui é um choque você presenciar personagens queridos que você acompanhou ao longo dos anos, definhando e moribundos.
Além da decadência, há outro choque, a violência finalmente esta presente em Logan. 
Sabemos que o sangue nunca foi jorrado como deveria na telona, seu personagem foi atenuado com sua adaptação cinematográfica ao ponto de crianças idolatrarem.
"Logan" deixa bem claro que quer um público adulto, nada das fantasiadas dos Vingadores recheada de piadinhas e tela mega colorida de efeitos especias.
Estamos diante de um drama (ótimo, diga-se de passagem) que por acaso há cenas de ação e violência. 
Sempre tive a impressão que a maioria dos filmes baseados em HQ eram displicentes nessa questão, os efeitos e a diversão era supervalorizados mas os conflitos dramáticos eram deixados completamente de lado.
Evidente que não são todos, mas vejam só os dois "Vingadores", que me dá bocejos quando as cenas triviais de ação não acontecem. Tudo é muito superficial, raso mesmo.
Nada em "Logan" esta na superfície, e o aprofundamento e questionamentos abordados são muito interessantes, as cenas de perseguição e pancadaria também funcionam perfeitamente.
Professor Xavier (Patrick Stewart ), Wolverine e X-23 (Dafne Keen, revelação impressionante) formam uma família disfuncional em busca de um refúgio que sabe se lá existe realmente.
Nesse caminho,  morte, velhice, o canto do cisne dos personagens são encarados duramente por eles e por nós.
É um desfecho honroso, emocionante e... esperançoso.
NOTA____ 8,5






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quarta-feira, fevereiro 22, 2017

MOONLIGHT

THUG LIFE

É louvável o quanto "Moonlight" se esforça para apresentar personagens fora do estereótipo pré-concebidos no cinema. Para ser mais claro, qual foi da última vez em que algum filme apresentou a questão da homossexualidade à algum personagem negro?
No entanto, não é o caso do filme que foge completamente de clichês, inclusive sua estrutura narrativa também não é original, lembrando por vezes,  o excepcional "Boyhood".
O diretor Barry Jenkins soube trabalhar o valioso material que tinha em mãos, e embora o resultado não seja o às da originalidade, "Moonlight" acaba se mostrando algo muito reflexivo, sensível, contrapondo com o modo 'thug life' extremamente machista e másculo que geralmente envolve personagens negros e à margem da sociedade.
Acompanhamos a vida de Chiron em três atos, durante a infância sofrendo bullyng e conhecendo um traficante de bom coração (Mahershala Ali, indicado ao Oscar e ganhador de alguns prêmios), depois na adolescência às voltas com sua sexualidade até chegar a idade adulta, confrontando com uma importante figura de seu passado.
É preciso destacar a atuação de Naomie Harris, como a mãe viciada em drogas de Chiron, que esta ótima em cada fase presente na vida do protagonista.
Também é preciso dizer sobre as reflexões deixadas no seu ato final, quando Chiron adulto enfrenta sua mal resolvida sexualidade em cenas e diálogos carregados de tensão (e por que não tesão) embutidos.
"Moonlight"se sobressai pela coragem de percorrer caminhos pouco trilhados e sua sensibilidade em meio a uma vida truncada de seus personagens é um alento que envolve em cheio o telespectador. 
NOTA___ 8,5


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sexta-feira, fevereiro 17, 2017

LION

MELÔ

Existem filmes que parecem que são milimetricamente feitos para ganharem indicações nas principais premiações.
Peguem uma história real, muito chororô, trilha sonora melosa , elenco oscilante, muitas lágrimas, quero Oscar.
É bem assim "Lion", baseado no livro "A Longa Estrada para Casa", um dramalhão caracteristico que sempre surge na lista das indicações do Oscar.
Seria melhor apenas existir a primeira parte de "Lion", que mostra como Saroo (Sunny Pawar) se perde de sua família na Índia e enfrenta inúmeros perrengues nas ruas.
O ator mirim dá conta do recado e as situações por ele enfrentada são aflitivas.
Adulto, agora interpretado por Dev Patel, uma jornada se inicia para descobrir o paradeiro de seus familiares, já que foi adotado.
Tudo culmina num reencontro com zero chances de me fazer emocionar, apesar do filme implorar para que você derrame uma lagriminha.
"Lion" é longo demais e a história não ajuda a querer descobrir se Saroo vai encontrar sua família ou não, há de se considerar as interpretações bem qualquer coisa de Patel e Rooney Mara.
A única que me gerou empatia e que esta ótima  é Nicole Kidman, como a mãe adotiva de Saroo. 
Ela não destoa nos dois tempos da narrativa em que esta presente, e não parece estar no piloto automático como nos seus filmes recentes.
NOTA____ 5,0

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terça-feira, fevereiro 07, 2017

ELIS

NASCE UMA ESTRELA

Condensar em um filme a trajetória de uma artista tão conhecida e consagrada como Elis Regina não é tarefa das mais fáceis.
Pois sempre haverá uma omissão de algum fato da vida do cine biografado ou personagens importantes que por conta da duração da produção são descartados, ou talvez, simplesmente para dar um ritmo cadenciado.
Enfim, as difíceis decisões são do cineasta e coube a Hugo Prata a fazê-las.
No entanto, o que incomoda em "Elis" é a transição, por vezes sem emoção e fria, de alguém desconhecido se tornando uma estrela conhecida, completamente o oposto do que era a cantora que transbordava sentimentos.
Acompanhamos a chegada da cantora ao Rio de Janeiro em busca de seu lugar ao sol e passando os perrengues de início de carreira.
Aos poucos ela é notada e com o passar do tempo se torna a melhor artista do Brasil.
A oscilação na vida profissional e na vida pessoal são lembradas (ou não, pois não há menções do encontro dela com Tom Jobim, por exemplo) até seu desfecho com sua morte tão precoce aos 36 anos.
O que se pode perceber ao assistir qualquer apresentação de Elis Regina é o quanto ela era visceral cantando e essa densidade falta a Andréia Horta, pelo menos até a metade do filme.
Andréia encontra um tom que chega muito perto da verdadeira Elis nos palcos, e mesmo dublando (o que me causou muita estranheza no início) acerta nos trejeitos sem parecer caricatural.
O esforço da atriz é visível e  Andréia Horta evolui a medida que Elis Regina se torna mais densa e amarga .
"Elis" fecha tristemente com a morte da cantora mesmo que há nos créditos finais  uma cena  impecável e alegre de Andréia  se esbaldando na personagem.
NOTA___ 8,0

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